"Puseram uma faca na minha garganta e uma arma na minha cabeça. Chamaram-me kaffir [infiel]. Disseram que iam matar-me. Fui colocado na solitária e, nas semanas que se seguiram, perdi mais de metade do meu peso. [1]

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PRINCIPAIS CONCLUSÕES
Por John Pontifex, Editor-Chefe
Relatório Liberdade Religiosa no Mundo 2018

Numa entrevista à Ajuda à Igreja que Sofre (AIS) dada no início de 2018, Antoine, pai de três filhas, descreveu o que lhe aconteceu quando foi apanhado por extremistas islamitas no norte da Síria, na cidade de Alepo. Quando os militantes descobriram que ele era cristão, exigiram que se convertesse, sob pena de morte. Antoine foi encarcerado, torturado e privado de alimentos. Acordava todos os dias a recear que fosse o seu último dia.

Foi este o preço que Antoine pagou pela recusa da liberdade religiosa. Contudo, teve sorte. Um dia, aproveitou uma oportunidade e fugiu. Enquanto os seus raptores estavam a rezar, escapou silenciosamente pela porta principal da prisão, cujo cadeado estava aberto. Fugiu, escalou uma parede muito alta e correu como nunca tinha corrido. Mais tarde nesse dia, encontrou-se com a sua mulher, Georgette, e as suas três filhas.

Este relato pessoal, juntamente com inúmeros outros exemplos, é a razão de ser deste relatório. Para muitas outras pessoas, a experiência da perseguição tem um resultado totalmente diferente. Simplesmente por pertencerem à religião errada, inúmeras pessoas foram assassinadas e muitas outras desapareceram ou foram presas indefinidamente.

Muitos incidentes deste tipo, motivados por ódio religioso, mostram até que ponto a liberdade religiosa no mundo hoje é “um direito órfão”.[2]

Perante isto, é sem dúvida mais importante do que nunca chegar a uma definição clara e trabalhável da liberdade religiosa e das suas ramificações para os governos, as autoridades legais e a sociedade como um todo. Este relatório da AIS sobre Liberdade Religiosa no Mundo 2018 reconhece os princípios fundamentais da liberdade religiosa tal como contidos no artigo 18º da Declaração Universal dos Direitos Humanos, adoptada pelas Nações Unidas em 1948:

Todos têm direito à liberdade de pensamento, consciência e religião; este direito inclui a liberdade para mudar a própria religião ou crença, e a liberdade, sozinho ou em comunidade com outros, e em público ou em privado, para manifestar a própria religião ou crença através do ensino, da prática, do culto ou da observância.[3]

Ao analisar o período de dois anos, de Junho de 2016 até Junho de 2018 inclusive, este relatório avalia a situação religiosa de cada país do mundo. Reconhecendo que a liberdade religiosa não pode ser avaliada adequadamente de forma isolada, os relatórios de país analisam criticamente a relação muitas vezes intrincada entre questões de religião e outros factores relevantes – por exemplo, política, economia, educação (ver Informação de fundo – Não é apenas uma questão religiosa). Foram analisados 196 países, com um foco especial sobre a liberdade religiosa nos documentos constitucionais e outra legislação, em incidentes de referência e finalmente na projecção de tendências prováveis. A partir destes relatórios, os países foram categorizados (ver tabela na página 36-39). A tabela foca-se nos países onde as violações da liberdade religiosa vão para além das formas comparativamente suaves da intolerância para representarem uma infracção fundamental dos direitos humanos.

Os países onde ocorreram graves violações foram colocados em duas categorias: ‘Discriminação’ e ‘Perseguição’ (ver definição total de ambas as categorias em www.libertadreligiosaenelmundo. com). Nestes casos de discriminação e perseguição, as vítimas tipicamente têm pouco ou nenhum recurso na lei.

Essencialmente, a ‘Discriminação’ envolve habitualmente uma institucionalização da intolerância, normalmente levada a cabo pelo Estado ou pelos seus representantes a diferentes níveis, com maus-tratos enraizados a nível legal e de costumes a grupos individuais, incluindo comunidades religiosas.

Enquanto a categoria ‘Discriminação’ identifica habitualmente o Estado como o opressor, a categoria ‘Perseguição’ também inclui grupos terroristas e actores não estatais, pois o foco aqui está nas campanhas activas de violência e subjugação, incluindo homicídio, detenção falsa e exílio forçado, além de danos ou expropriação de bens. De facto, o próprio Estado pode frequentemente ser uma vítima, como se vê, por exemplo, na Nigéria. Daí que a ‘Perseguição’ seja uma categoria de maior infracção, pois as violações da liberdade religiosa em questão são mais graves e, por natureza, também tendem a incluir formas de discriminação como subproduto.

Ao analisar cada país no mundo, este relatório encontrou provas de violações significativas da liberdade religiosa em 38 países (19,3%). Estes 38 países foram analisados mais em detalhe e chegou-se às seguintes conclusões: Primeiro, 21 países (55%) foram colocados no topo da categoria de ‘Perseguição’ e os restantes 17 (45%) na categoria menos grave de ‘Discriminação’. Isto significa que, em todo o mundo, 11% dos países foram classificados ao nível da ‘Perseguição’ e 9% ao nível da ‘Discriminação’. Segundo, a situação da liberdade religiosa deteriorou-se em 18 dos 38 (47,5%) países, divididos mais ou menos uniformemente entre as categorias de ‘Perseguição’ e ‘Discriminação’. Terceiro, 18 dos 38 países (47,5%) não mostraram sinais óbvios de mudança entre 2016 e 2018. Quarto, as condições da liberdade religiosa melhoraram em apenas dois países (5%): o Iraque e a Síria, ambos grandes infractores em 2016. Significativamente, a situação da liberdade religiosa na Rússia e no Quirguistão agravaram-se a tal ponto nos dois anos desde meados de 2016 que estes países entraram na categoria de ‘Discriminação’ pela primeira vez em 2018. Por contraste, o acentuado declínio da violência islamita militante na Tanzânia (Zanzibar) e no Quénia significaram que em 2018 eles passaram a estar categorizados como ‘Não classificada’.

Apesar de, em muitos aspectos, estas conclusões de 2018 serem comparáveis com as registadas em 2016, há uma diferença significativa, nomeadamente, um assinalável aumento no número de países com violações significativas da liberdade religiosa, onde a situação claramente se agravou. 2018 registou 18 países onde a situação se degradou, mais quatro do que no período abrangido pelo relatório anterior. Isto representou uma clara deterioração e reflecte o padrão geral, que mostra um aumento da ameaça à liberdade religiosa por parte de actores estatais. Os exemplos disso incluem Mianmar (Birmânia), China, Índia, Irão, Cazaquistão, Quirguistão, Rússia, Tajiquistão e Turquia. Embora a ameaça de actores islamitas e outros actores não estatais tenha diminuído desde 2016 em países como Síria, Iraque, Tanzânia e Quénia, em muitos outros países a ameaça do Islamismo foi visível mas não necessariamente suficiente – ainda – para justificar a categorização a indicar a mudança para pior. As provas sugerem que era mais provável a ameaça nesta área aumentar, progredindo para a próxima década. Esta mesma projecção pode ser feita de forma mais definitiva em relação aos actores estatais – regimes autoritários – que, desde 2016, causaram um retrocesso na liberdade religiosa em inúmeros países, incluindo os que têm influência regional e global.

Entre os países que testemunharam um declínio mais acentuado da liberdade religiosa durante o período em questão, a Índia é particularmente significativa, pois é o segundo país do mundo mais populoso,[4] com uma das economias de crescimento mais acelerado no mundo.[5] Relatório após relatório destacou os actos de violência flagrante, cada um deles com um motivo claramente estabelecido de ódio religioso. Um exemplo disso vem do estado de Madhya Pradesh, no centro da Índia. Ao descrever “uma atmosfera de hostilidade contra nós”,[6] o Arcebispo Anthony Chirayath de Sagar falou sobre como nacionalistas fanáticos ameaçaram fisicamente as famílias na sua Diocese e lhes disseram que partissem. Numa entrevista em Novembro de 2017, o Bispo disse que extremistas hindus espancaram oito sacerdotes e queimaram o seu veículo no exterior da esquadra de polícia em Satna.  A organização de defesa dos direitos humanos Persecution Relief documentou 736 ataques contra cristãos em 2017, por comparação com 358 em 2016 [7] (ver Caso de estudo – ÍNDIA: Agricultor muçulmano morto por radicais hindus “justiceiros das vacas”).

Esta violência contra cristãos, muçulmanos e outras minorias – muitas das quais pertencem a comunidades das castas inferiores – revela a emergência de uma forma particularmente agressiva de nacionalismo evidente na Índia e noutros países do mundo. O nacionalismo em questão não só é uma ameaça para o país nos grupos minoritários cumpridores da lei, como está na origem de actos de agressão calculados para forçá-los a renunciar à sua identidade distintiva ou a deixar o país. Este tipo de ameaça pode ser chamado de ultra-nacionalismo. Entre intensas preocupações sobre a alegada evangelização entre comunidades hindus, as minorias são acusadas – como referiu um deputado indiano – “como uma ameaça para a unidade do país”.[8] Essas alegações são indicadoras de uma mentalidade nacionalista que identifica o país exclusivamente com o Hinduísmo.

Os grupos nacionalistas hindus de linha dura são rotineiramente responsabilizados pelos ataques que são descritos como fazendo “parte de uma tendência sem precedentes para apresentar [os grupos religiosos minoritários] como actuando contra o Estado e o ethos nacional”.[9] Foram levantadas preocupações repetidas vezes em relação à “cumplicidade”[10] das forças de segurança Indianas na violência, ou pelo menos na sua incapacidade para agir. Observatórios da liberdade religiosa referiram que o aumento acentuado de ataques às minorias religiosas na Índia coincidiu com a subida ao poder do Partido Bharaitiya Janata (BJP), sendo agora a violência contra estas minorias uma “rotina”.[11] O BJP tem ligações ideológicas e organizacionais estreitas com grupos nacionalistas hindus, incluindo os ultra-nacionalistas Rashtriya Swayamsevak Sangh (RSS).[12]  Narendra Modi do BJP levou o partido à vitória nas eleições de 2014, tornando-se primeiro-ministro. O Bispo Thomas Paulsamy disse à organização católica AIS: “O BJP apoia os fundamentalistas. O [primeiro-ministro Modi] não quer que se aplique a Constituição, mas antes os princípios e valores religiosos do Hinduísmo.”[13]

Este nacionalismo e o seu impacto nos grupos religiosos minoritários não se limita à Índia. De facto, uma das principais conclusões do Relatório Liberdade Religiosa no Mundo 2018 é que os desenvolvimentos na Índia são típicos de um aumento do ultra-nacionalismo religioso nalguns dos principais países do mundo, cada um com o denominador comum de as minorias religiosas estarem sob ataque. Estes grupos religiosos são apresentados como estranhos ao Estado, uma potencial ameaça, se não existente, à chamada cultura nacional, com lealdades a outros países. Se este tipo de nacionalismo não for vigiado, a preocupação é que ele possa levar a uma crescente pressão – talvez a uma campanha de violência em larga escala – para forçar esses grupos minoritários a fugirem ou a renunciarem à sua fé.[14]

Não significa que esta forma de nacionalismo se identifique invariavelmente com uma fé específica à custa de outras. Na China, todos os grupos religiosos estão em risco se tentarem soltar os laços da mão cada vez mais autoritária da liderança. Ao longo dos últimos dois anos, o regime do presidente Xi Jinping deu novos passos para reprimir os grupos religiosos vistos como resistentes ao domínio das autoridades comunistas chinesas.

Na província de Xinjiang, no noroeste da China, Chen Quanguo, nomeado chefe de partido em 2016, foi acusado de presidir a uma repressão maciça contra os uigures, o maior grupo muçulmano no país. Houve relatos de que o Governo estava a construir milhares de campos de reeducação,[15] e que 100.000 uigures estavam a ser “detidos indefinidamente em campos de reeducação sobrelotados na fronteira ocidental da China”.[16] Outros relatos sugerem que os números são maiores. Um prisioneiro relatou que não era autorizado a comer enquanto não agradecesse ao presidente Xi e ao Partido Comunista.

Com relatos de que “a repressão da actividade religiosa se intensificou”, em Outubro de 2017, na conferência quinquenal do Partido Comunista Chinês, o presidente Xi fez um discurso em que declarou que todas as religiões devem ser “orientadas para a China”.[17] Disse que o regime não ia tolerar o separatismo disfarçado de religião. As provas de uma determinação em fazer cumprir esta abordagem chegaram em Janeiro de 2018, quando o Governo introduziu um novo “Regulamento dos Assuntos Religiosos”, visto como restrição pesada aos grupos religiosos, confinamento das suas actividades a localizações específicas e bloqueio do acesso a diferentes formas de presença online.[18] No final de 2017, chegavam relatos de estar a ser oferecido dinheiro aos cristãos nalgumas partes do país para destruírem imagens natalícias do Menino Jesus e substituí-las por retratos do presidente Xi.[19] Em Abril de 2018, foi proibida a venda online da Bíblia [20] e dois órgãos protestantes controlados pelo Estado anunciaram que iriam seguir uma nova versão “secularizada” da Bíblia compatível com a “sinicização” e o socialismo.[21]

Olhando para a Rússia, vemos outra dimensão do ultra-nacionalismo religioso a funcionar. Provas apresentadas neste relatório concluem que “a situação da liberdade religiosa se agravou drasticamente nos últimos dois anos”.[22] De grande preocupação são as leis, conhecidas como Pacote Yarovaya, promulgadas em Julho de 2016. Introduzidas no âmbito da legislação anti-terrorismo, estas leis aumentaram as restrições aos actos de proselitismo, incluindo pregação e divulgação de material religioso.[23] Significativamente, as principais expressões de fé intimamente identificadas com a cultura e a história Russa ficaram isentas destas restrições. Faith McDonnell, directora de liberdade religiosa do Instituto de Religião e Democracia, disse: “Esta lei não faz muito para defender do terrorismo e apenas impede os cristãos e outros que não são ortodoxos de pregar e fazer proselitismo.” Na sequência do Pacote Yarovaya, a polícia realizou buscas a casas privadas e a locais de culto pertencentes a minorias religiosas. A 24 de Abril de 2017, o Supremo Tribunal da Federação Russa proibiu o Centro Administrativo das Testemunhas de Jeová e todos os seus 395 centros locais alegando “extremismo”.[24]

O fenómeno do ultra-nacionalismo crescente e as repercussões negativas para as minorias religiosas é generalizado, como ilustram os seguintes exemplos. Na Turquia, a agenda nacionalista do presidente Recep Tayyip Erdogan impôs o Islamismo sunita. Anteriormente, o regime tinha jurado defender os direitos das minorias, mas uma mudança de abordagem rapidamente ganhou impulso em resposta à tentativa falhada de golpe, em Julho de 2016. Apesar de a repressão governamental se focar nos dissidentes políticos, os grupos religiosos minoritários foram novamente alvo de pressão. O Governo culpou directamente o movimento muçulmano de Gulen. Os muçulmanos alevitas sofreram ameaças de violência e incidentes nos quais as suas mesquitas foram “reposicionadas” como mesquitas sunitas.[25] O regime também encerrou duas estações de televisão xiitas jaferi por alegada “propaganda terrorista”.[26] Grupos cristãos disseram que a marca de nacionalismo religioso do presidente Erdogan “deixa-os com pouco espaço de manobra” [27]. Outros relataram um aumento nos sinais de pressão, com os cristãos e outros a alegarem que são vistos como “o inimigo” [28] pelas agências de comunicação do Estado.

Violações flagrantes da liberdade religiosa resultantes de ultra-nacionalismo foram também encontradas noutros países. As mais graves dizem respeito à Coreia do Norte, onde a liberdade religiosa é amplamente recusada pelo Estado, que vê os grupos religiosos como uma ameaça ao “culto pessoal”[29] da dinastia Kim e do regime. No Paquistão, a oposição crescente a propostas de mudança das controversas leis da blasfémia, que ameaçam os grupos minoritários em particular, foi justificada pelos extremistas determinados em tornar o país num estado totalmente islâmico. Em Maio de 2018, Ahsan Iqbal, ministro federal do Interior, escapou por pouco à morte quando foi atingido a tiro, alegadamente por Abid Hussain. O incidente ocorreu pouco depois de Iqbal – conhecido pela sua defesa dos direitos dos grupos religiosos minoritários – ter visitado uma comunidade cristã no seu círculo eleitoral de Narowal, província de Punjab. Explicando os seus motivos, Hussain disse que tinha agido para defender as leis da blasfémia.[30] No Tajiquistão, suspeitas governamentais sobre as chamadas influências religiosas estrangeiras resultaram em medidas opressoras, atingindo as comunidades muçulmanas em particular. Em Agosto de 2017, uma alteração à lei passou a exigir que as mulheres tajiques usem vestuário nacional e sigam a cultura nacional. Só nesse mês, 8.000 mulheres muçulmanas foram mandadas parar por estarem a usar o véu islâmico. Muitas tinham recebido mensagens de telemóvel a dizer-lhes que não usassem o véu.[31] Num esforço para limitar a influência estrangeira, os imãs formados no estrangeiro foram substituídos em Novembro de 2017 por clérigos mais “favoráveis”.[32]

Durante o período em análise, uma grande ofensiva militar contra os muçulmanos rohingya por parte do regime nacionalista de Mianmar (Birmânia) fez manchete nos jornais. Com início em Setembro de 2017 e prolongando-se por nove meses, quase 700.000 pessoas fugiram de Mianmar para o vizinho Bangladesh, juntando-se aos 200.000 que já ali estavam.[33] Este êxodo em massa seguiu-se a “grandes ofensivas militares” [34] em 2016 e 2017, com 354 aldeias alegadamente incendiadas em quatro meses [35] (ver Caso de Estudo – MIANMAR (BIRMÂNIA): Rohingya fogem da violência, da violação e da discriminação em massa). A crise foi descrita como uma “limpeza étnica” pelo Alto Comissário das Nações Unidas para os Direitos Humanos.[36] Isto surgiu ao mesmo tempo que relatos demonstravam claramente que, apesar de haver também factores étnicos e politicos, o ódio religioso tinha desempenhado um grande papel na violência contra um povo presente há séculos em Mianmar.

Uma diferença significativa marca o caso dos rohingya dos outros casos de ultra-nacionalismo acima referidos. Enquanto os rohingya receberam considerável – e proporcional – atenção mediática e preocupação dos governos internacionais, as situações acima descritas não geraram níveis semelhantes de envolvimento das agências noticiosas. Embora os casos em questão sejam diferentes, a frequência e a gravidade dos ataques na Índia e o clima de repressão renovada sobre as minorias na China e na Rússia aumentaram drasticamente, mas não foram suficientemente reportadas nas notícias. Quando circulou um vídeo online a mostrar um líder nacionalista hindu influente a dizer aos cristãos que se fossem embora ou então enfrentariam a “expulsão pela força”,[37] uma publicação católica de renome descreveu-a como “a história mais ignorada da semana”, referindo como o filme também regista o clérigo radical e 20 apoiantes a pisarem imagens do Papa Francisco.[38] O impacto desta óbvia indiferença internacional não pode ser sobrestimado, pois o desinteresse contribui activamente para o problema, sendo dados poucos ou nenhuns passos para responsabilizar os governos em questão. Estes incidentes apontam para a emergência de uma divisão cultural: por um lado, no Ocidente, há uma ignorância e uma falta de preocupação com as violações da liberdade religiosa; por outro, na Ásia e noutras partes do mundo, as questões da religião são centrais e fundamentais. Esta divisão é tão marcada que podemos concluir que há uma barreira de indiferença, uma cortina cultural, por trás da qual o sofrimento de comunidades inteiras de grupos religiosos minoritários passa totalmente despercebido. Daí que, com notáveis excepções, a iliteracia religiosa e a apatia ceguem o Ocidente em relação à violência ultra-nacionalista, que está a ser perpetrada contra grupos religiosos minoritários. Esta indiferença cega não se estende às questões raciais, culturais ou de género, apenas à religião. Este relatório apela a que o sofrimento das minorias religiosas ignoradas seja reconhecido e que sejam tomadas medidas para defender os seus direitos.

Durante o período em análise, houve contudo vislumbres de esperança. Em meados de 2018, houve situações no norte do Iraque que, dois anos antes, eram impensáveis até junto dos membros mais optimistas das minorias religiosas em questão. Em Junho de 2018, os relatos mostraram que 25.650 cristãos tinham regressado à cidade de Qaraqosh nas Planícies de Nínive.[39] Isto representou quase 50% do número total de pessoas a viver em Qaraqosh em 2014, quando estas pessoas tinham fugido às forças do Daesh (ISIS) vindas da vizinha Mossul, a segunda cidade do Iraque (ver Caso de Estudo – IRAQUE: Derrota de extremistas anuncia reabilitação da cidade). No início do período em análise, meados de 2016, não havia sinais imediatos de que a ocupação do Daesh na região iria terminar uns meses mais tarde. Quando os rebeldes foram expulsos, a devastação que deixaram atrás de si significava que o desejo de voltar era literalmente inexistente entre as comunidades deslocadas para Erbil, a capital curda semiautónoma do Iraque.[40] Apesar de a taxa de regresso ser particularmente marcante em Qaraqosh, quando comparada com muitas vilas e aldeias vizinhas também afectadas, a sua importância como a maior cidade de maioria cristã no Iraque não pode ser sobrestimada. De qualquer forma, as vilas e aldeias yazidis e cristãs incluindo Bartela, Karamles e Teleskof testemunharam todas um aumento considerável dos números de deslocados que regressaram, desejosos de voltarem a residir nas casas recém-reparadas e reconstruídas por organizações cristãs e por alguns, poucos, governos estrangeiros simpatizantes.[41] Este trabalho de reabilitação foi feito sobretudo por obras de caridade e organizações religiosas. Se não tivessem dado esta assistência, a comunidade Cristã na região poderia ter desaparecido por completo. Os governos ocidentais, a quem foram feitos apelos de assistência urgente, desiludiram muito as comunidades em questão. Cristãos e yazidis foram reconhecidos como vítimas de genocídio – obviamente merecedor de ajuda – e os acontecimentos mostraram que havia meios viáveis para o fazer.

O rápido retrocesso do território dominado pelo Daesh – não apenas no Iraque mas também na Síria – foi espelhado por perdas semelhantes sentidas por outros grupos hiper-extremistas,[42] incluindo o Boko Haram no norte da Nigéria. Não só o Boko Haram perdeu a maior parte do seu território, mas também sofreu derrotas, em grande medida, na sua pátria, Maiduguri, no nordeste do país.

Em termos globais, a recuperação de quase todo o território dominado por grupos hiper-extremistas representou uma vitória para a liberdade religiosa. A comunicação social deu a devida importância a este desenvolvimento de significado internacional, como testemunhado pela cobertura mediática da libertação de Marawi nas Filipinas ao Daesh, em Outubro de 2017 (ver Caso de Estudo – FILIPINAS: Sacerdote e funcionários da catedral raptados). Apesar disso, este Relatório da Liberdade Religiosa no Mundo 2018 considera que as agências noticiosas ignoraram o crescimento da violência religiosa levada a cabo por outros grupos islamitas militantes, que até certo ponto preencheram o vazio deixado pelos hiper-extremistas. Este foi certamente o caso no Egipto, onde os cristãos coptas continuaram a estar sob ataque dos extremistas (ver Caso de Estudo – EGIPTO: Extremistas matam 29 peregrinos cristãos coptas).  Na Nigéria, pastores islamitas militantes fulani atacaram comunidades cristãs no Middle Belt, massacrando pessoas, destruindo os seus modos de vida e deixando inúmeras pessoas a recear pela sua vida. Fundamental para a violência fulani foram os esforços desesperados dos pastores para “confiscar…terra arável” [43] para usarem como pastagem para o seu gado; as questões étnicas que os separam dos cristãos e de outros grupos desempenharam sem dúvida um papel nesta situação. Contudo, a natureza da violência – incluindo os ataques a cristãos em oração – sublinhou o significado crescente dos motivos religiosos (ver Caso de Estudo – NIGÉRIA: Católicos assassinados por militantes durante a Missa). Uma vez mais, uma conclusão fundamental deste relatório é a incapacidade da comunidade internacional para reconhecer a dimensão do problema, a acrescentar à inacção das autoridades nos países em questão. O problema foi tão grave que os Bispos da Nigéria pediram ao presidente do país que “considere demitir-se” enquanto “as agências de segurança fecham deliberadamente os olhos aos gritos… dos cidadãos indefesos que permanecem sentados em casa… e mesmo nos seus locais de culto sagrados”.[44] Um bispo avisou a comunidade internacional: “Por favor, não façam o mesmo erro que foi feito com o genocídio no Ruanda.” [45]

Os acontecimentos na Nigéria durante o período em análise mostraram evidências não apenas de renovada violência islamita, mas também de esforços concertados para propagar o extremismo, por meios agressivos. Na Somália, islamitas do Al-Shabaab ganharam posição, impondo graves violações dos direitos humanos em áreas sob o seu controlo, incluindo o apedrejamento de pessoas.[46] No Níger surgiram inúmeros centros wahabi.[47] O ponto crítico de violência na Nigéria – o Middle Belt – é predominantemente cristão e os observadores de direitos humanos sugeriram que a acção militante se destinava a alcançar a imposição do estilo wahabi do Islamismo. Os líderes religiosos sugeriram que os atacantes eram “jihadistas vindos de fora e que pretendiam ser pastores, financiados por pessoas de certas zonas para alcançarem uma agenda [islamita]”.[48] A prová-lo, os comentadores referiram a mudança para melhores armas, tendo passado de arcos e flechas para AK-47 e outro arsenal altamente tecnológico. O presidente da Christian Association of Nigeria, o Padre Otuekong Ukot, foi mais longe, implicando parte do Governo na violência e dizendo que os extremistas queriam islamizar a totalidade da Nigéria até 2025. Ukot disse que os massacres no Middle Belt mostravam que os militantes tinham “agora avançado para outras partes da Nigéria para alcançarem o seu objectivo”.[49]

Noutras partes de África, a tentativa de expansão do Islamismo pode não ter sido agressiva, mas não foi menos ambiciosa. Os relatórios mostram uma variedade de iniciativas destinadas ao domínio islamita, subornando pessoas para que se convertam e adiram à causa extremista, oferecendo-lhes cursos gratuitos sobre wahabismo e outros movimentos radicais, e construindo mesquitas umas atrás das outras, independentemente da necessidade. Em Madagáscar, um país predominantemente Cristão, o Cardeal Désiré Tzarahazana, de Toamasina, destacou uma mudança radical no país. E advertiu para a forma como o “Islamismo extremista” estava a ser importado para Madagáscar, alegando que grupos radicais estavam “a comprar pessoas”, e citando planos para a construção de mais de 2.600 mesquitas no país. O Cardeal, que também é presidente da Conferência Episcopal Católica de Madagáscar, esclareceu que esta não era uma mudança para o Islamismo a partir de dentro, mas sim resultante do trabalho de grupos radicais de fora. Numa entrevista à AIS, disse: “O crescimento do Islamismo é palpável. Pode ver-se em todo o lado. É uma invasão, com dinheiro dos estados do Golfo e do Paquistão, que compram as pessoas.”[50]

Uma constatação importante revelada por investigações ao Islamismo militante mostrou o grau de violência a que as mulheres são sujeitas no processo de conversão forçada. Sob o domínio do Daesh (ISIS) e de outros grupos hiper-extremistas, houve uma tentativa sistemática de mudar a demografia da população, com o Daesh a forçar mulheres não muçulmanas a converterem-se e a casarem, para poderem criar mais crianças de acordo com a sua visão do Islamismo. Noutros casos mesmos extremos, as investigações mostraram casos periódicos de homens muçulmanos que tiveram filhos de mulheres que eles raptaram, converteram à força e com quem depois casaram. Neste caso, os motivos, por contraste, não eram necessariamente puramente religiosos (ver Informação de fundo – Violência sexual e conversão forçada de mulheres i) Nigéria, Síria e Iraque e ii) Egipto e Paquistão).

Este Relatório da Liberdade Religiosa no Mundo 2018 concluiu que a militância de certas partes da comunidade muçulmana não é de modo nenhum apenas uma ameaça para as pessoas que não seguem o Islamismo. As provas demonstram claramente que a tensão e violência fazem parte de um conflito crescente dentro do Islamismo no qual a expansão e o domínio opuseram sunitas contra xiitas. De facto, um académico disse que o confronto é “o mais mortífero e irresolúvel conflito no Médio Oriente e que ocorre entre muçulmanos”.[51] Até que ponto o conflito tem origem em questões de dogma religioso está aberto à discussão. Muitos referiram a exploração económica e política e concluíram que “não foram as diferenças teológicas que levaram ao recente derramamento de sangue…”[52] Apesar disso, a expansão da luta de poder entre os blocos sunita e xiita – e os seus aliados internacionais – está sem sombra de dúvida a intensificar o confronto (ver Caso de Estudo – AFEGANISTÃO: Muçulmanos xiitas bombardeados por extremistas sunitas).

A ameaça do Islamismo militante durante o período em análise alargou-se muito para além da Ásia e da África. Neste período houve um recrudescimento dos ataques terroristas no Ocidente, nomeadamente na Europa. A ameaça foi mais generalizada do que sugerem as aparências, por causa do nível a que a polícia e as forças de segurança conseguiram bloquear as intensões de extremistas militantes.[53] Estes ataques, sejam eles em Manchester, Berlim, Barcelona, Paris ou outras cidades, demonstraram que a ameaça do extremismo se tornou agora universal, iminente e sempre presente. Apesar de os motivos destes ataques incluírem preocupações políticas – aparente vingança pela acção militar ocidental na Síria e noutras zonas –, é frequente eles terem uma dimensão religiosa, com os agressores a expressarem desprezo pela sociedade ocidental liberal e pelo princípio da liberdade religiosa em geral. Nalguns casos, o alvo dos agressores era o Cristianismo. As investigações aos incidentes do ataque extremista em Las Ramblas, em Barcelona, em Agosto de 2017, revelaram que os islamitas tinham planeado atacar a icónica basílica da Sagrada Família (Ver Caso de Estudo – ESPANHA: Islamita conduz carrinha contra multidão, matando 15 pessoas). Muitos dos ataques foram realizados por pessoas que viviam no Ocidente, radicalizadas online e extremamente influenciadas pelas redes que recrutam pessoas à margem da sociedade. Muitas delas não viviam muito longe do lugar onde levaram a cabo as suas atrocidades. Considerado como um todo, o período em análise testemunhou a emergência de um fenómeno novo que pode ser descrito como “terrorismo de proximidade”. Alguns dos ataques foram realizados por militantes que regressavam ao Ocidente em grandes quantidades após a derrota do Daesh no Iraque e na Síria. As investigações de analistas de segurança global do Soufan Centre estimaram que, em Outubro de 2017, quase 425 britânicos membros do Daesh (ISIS) regressaram ao Reino Unido.[54]

Os ataques no Ocidente e noutras zonas mostraram outra característica do terrorismo de proximidade, nomeadamente, um aumento na violência e na discriminação por motivos religiosos contra o Islamismo. No domingo, 29 de Janeiro de 2017, homens armados entraram no Centro Cultural Islâmico da cidade do Quebeque durante as orações da noite e desataram a disparar, matando seis pessoas e ferindo outras 18, naquilo que o primeiro-ministro Justin Trudeau apelidou de “ataque terrorista”.[55] Menos de seis meses mais tarde, Darren Osborne atacou a mesquita londrina de Finsbury Park, tendo alegadamente gritado: “Quero matar todos os Muçulmanos”.[56] Em Março de 2018, Paul Moore, de 21 anos, foi considerado culpado de tentativa de homicídio em Leicester, no Reino Unido. Ao conduzir o seu carro, subiu um passeio e atropelou deliberadamente uma mulher muçulmana que usava um lenço na cabeça, causando ferimentos graves antes de voltar atrás com o carro para atacá-la novamente.[57] O relatório European Islamophobia Report 2017 relatou um aumento nos ataques contra muçulmanos, concluindo: “A islamofobia tornou-se num problema grave”.

Essencial para o problema foi o desconforto no Ocidente com a entrada em massa de muçulmanos, especialmente para a Europa, e a comparativamente elevada taxa de nascimentos entre as comunidades muçulmanas [58] (ver Informação de fundo – Crise no Islamismo). Embora muitos países europeus estejam abertos a migrantes muçulmanos, um estudo da Chatham House publicado em Fevereiro de 2017 mostrou que em média 55% de inquiridos de 10 países Europeus disseram que “toda a imigração futura de países maioritariamente muçulmanos deve ser interrompida”.[59] Na Alemanha, os ataques a refugiados, sobretudo muçulmanos, alegadamente aumentaram de 1.031 em 2015 para mais de 3.500 um ano mais tarde.[60] Considerado como um todo, o aumento do terrorismo de proximidade ameaça fracturar as sociedades em termos religiosos, potencialmente criando uma cultura de suspeição e desconfiança. Além da violência, cresceram as preocupações com a discriminações contra muçulmanos, com investigações nos EUA a mostrarem que quase 75% dos muçulmanos sentiram que havia “muita discriminação” contra eles no país.[61]

Um aspecto importante da preocupação com o crescimento do Islamismo militante no Ocidente foram provas que ligam imigrantes muçulmanos a um aumento do anti-semitismo. Em França, onde a comunidade judaica de cerca de 465.000  membros é a maior na Europa, houve um aumento bem documentado de ataques (ver Caso de Estudo – FRANÇA: Mulher judia atirada pela janela de terceiro andar) e de violência contra centros culturais e religiosos judaicos. Em Abril de 2018, o jornal Le Figaro publicou uma “declaração” de 300 dignitários franceses, muitos deles judeus, a denunciar um “novo anti-semitismo” marcado pela “radicalização islamita”.[62] Entre relatos de uma onda de migração de judeus franceses para Israel nos últimos anos, os signatários da declaração condenaram o que descreveram como uma “purga étnica silenciosa” movida por um crescente fundamentalismo islamita, em especial nos bairros da classe operária.[63]

Perante este cenário, há alguma evidência a sugerir uma pequena mas potencialmente significativa mudança, com um afastamento da fé e da prática religiosa tradicional entre os que chegaram recentemente ao Ocidente vindos do mundo em desenvolvimento. Isto afectou vários grupos de fé diferentes. Em Março de 2018, o Pew Research Center publicou uma investigação que mostrou que “23% dos americanos criados como muçulmanos já não se identificam com a sua fé”. Contudo, e isto é importante, “a maior parte deles não revela esta sua falta de fé”, receando possível exclusão social, em especial por parte da família.[64]  As provas também sugerem que houve afastamento da prática muçulmana tradicional não apenas em regiões do Ocidente, mas também nalguns países islâmicos. O Conselho de ex-Muçulmanos do Reino Unido afirmou em Março de 2018 que, apesar de terem sido vendidos 3,3 milhões de exemplares do livro de Richard Dawkins A Desilusão de Deus desde 2006, “só o pdf não oficial em língua árabe foi descarregado da internet 13 milhões de vezes”.[65] O Conselho reafirmou que as pessoas nos países de língua árabe e noutros países muçulmanos estavam relutantes em abandonar a fé de forma pública, ou mesmo a questioná-la. Esta era uma reacção ao que o conselho descrevia como “o autoritarismo da norma religiosa… e à violência incessante”, bem como apostasia que é tecnicamente punível com a morte no Islamismo.[66]

Resumindo, o período em análise testemunhou alguns passos em frente importantes para a liberdade religiosa, que dificilmente poderiam ter sido previstos na altura do anterior relatório, há dois anos. O principal destes desenvolvimentos surgiu das perdas em massa sofridas pelo Daesh (ISIS) e de outros grupos extremistas, no Iraque e na Síria, no nordeste da Nigéria e noutras zonas. Não só isto pôs fim às violações extremas da liberdade religiosa por parte dos islamitas, mas também marcou, pelo menos nalguns casos, o regresso de grupos religiosos minoritários cruelmente forçados a sair pelos extremistas. Contudo, apesar de o extremismo islamita ter sido forçado a abandonar algumas regiões, noutras ele expandiu-se, com consequências devastadoras em partes de África, incluindo o Middle Belt na Nigéria e na Somália, e o Islamismo wahabi a ser exportado para Madagáscar. O Islamismo militante foi um dos vários factores que desencadeou uma forte desaceleração da liberdade religiosa entre 2016 e 2018, pelo menos na Europa, que foi vítima do terrorismo de proximidade. O nacionalismo – em especial governamental – tornou-se cada vez mais agressivo, com consequências profundamente perturbadoras para os grupos religiosos minoritários. Este desenvolvimento, que pode ser chamado de ultra-nacionalismo, é especialmente signficativo porque é agora dominante na China, Rússia e Índia, potencias mundiais com influência crescente em todo o mundo. Outros governos estão a tornar-se cada vez mais ultranacionalistas na sua hostilidade para com os grupos minoritários, nomeadamente o regime de Mianmar, cuja violência para com os muçulmanos rohingya chocou os observadores de direitos humanos em todo o mundo. Esta publicidade é a excepção à tendência prevalecente. Fechou-se uma cortina cultural, por trás da qual as minorias religiosas sofrem, enquanto o Ocidente iletrado religiosamente vira a cara para não ver. Na Europa e noutras partes do ocidente, pouco tem sido feito para converter as palavras em acções, de modo a defender a liberdade religiosa. E os países onde as comunidades de fé sofrem não são propriamente alheios à liberdade religiosa. Tal como os relatórios de cada país preparados para este Relatório da Liberdade Religiosa no Mundo 2018 demonstram uma e outra vez, a vitimização mais flagrante dos grupos religiosos que cumprem a lei ocorre em países onde a expressão da liberdade religiosa é eloquente e ambiciosa. Enquanto poucos questionam o valor da liberdade religiosa no Ocidente, parece que ela perdeu terreno para outros direitos – nomeadamente raça, género e sexualidade – cujo avanço é indiscutivelmente visto como prejudicado pela religião. E no entanto, num mundo popularizado como a aldeia global, onde as trocas culturais aumentaram em massa através de enormes meios e alterações tecnológicas, da migração em massa e da mobilidade social, as perspectivas de paz e coesão comunitária vão ser inevitavelmente impedidas pela contínua iliteracia e apatia religiosas. Porque para a maioria das pessoas no mundo, a religião continua a ser uma força motriz crucial e, muitas vezes, preponderante. O Ocidente ignora-o por sua conta e risco.

Notas

[1] John Pontifex, ‘The suicide bomber saved by Our Lady,’ Catholic Herald, 8 de Março de 2018, http://www.catholicherald.co.ukw0080000007c4dww.catholicherald.co.uk/magazine-post/the-suicide-bomber-saved-by-our-lady/
[2] ‘Article 18: an orphaned right’ – Relatório do All Party Parliamentary Group on International Religious Freedom, Junho de 2013.
[3] United Nations – ‘The Universal Declaration of Human Rights’ – http://www.un.org/en/universal-declaration-human-rights/index.html (acedida a 23 de Junho de 2018).
[4] De acordo com estatísticas no Yearbook of International Religious Demography, (Leiden: Brill, 2017), a população da Índia chegava a mais de 1.326 milhões em 2016.
[5] Kiran Stacy e James Kynge, ‘India regains title of world’s fastest-growing economy’, Financial Times, 28 de Fevereiro de 2018, https://www.ft.com/content/cb5a4668-1c84-11e8-956a-43db76e69936 (acedido a 24 de Junho de 2018).
[6] ‘ “Hindu radicals want to eliminate us. Help us,” says the bishop of Sagar’, AsiaNews.it, 16 de Novembro de 2017, http://www.asianews.it/news-en/%26ldquo%3BHindu-radicals-want-to-eliminate-us.-Help-us%2C%26rdquo%3B-says-the-bishop-of-Sagar-42340.html (acedido a 24 de Junho de 2018).
[7] ‘Attacks on Christians in India double in one year,’ 21 de Fevereiro de 2018, CathNews, http://www.cathnews.com/cathnews/31392-attacks-on-christians-in-india-double-in-one-year (acedido a 24 de Junho de 2018).
[8] Shilpa Shaji, ‘History of attacks on Christians by the Right Wing in India’, 23 de Abril de 2018, https://www.newsclick.in/history-attacks-christians-right-wing-india (acedido a 24 de Junho de 2018).
[9] Saji Thomas, ‘Hindu attacks on Christians double in India’, UCANews, 20 de Fevereiro de 2018, https://www.ucanews.com/news/hindu-attacks-onchristians-double-in-india/81570 (acedido a 24 de Junho de 2018).
[10] ‘Police Complicit in Hindu Extremist Attack on Christians in Tamil Nadu, Sources say’, Morning Star News, 19 de Dezembro de 2017, https://morningstarnews.org/2017/12/police-complicit-hindu-extremist-attack-christians-tamil-nadu-india-sources-say/ (acedido a 24 de Junho de 2018).
[11] ‘Shilpa Shaji, ‘History of attacks on Christians by the Right Wing in India’, 23 de Abril de 2018, https://www.newsclick.in/history-attacks-christians-right-wing-india (acedido a 24 de Junho de 2018).
[12] ‘Indian Christians faced almost as many attacks in first half of 2017 as all of 2016’, World Watch Monitor, 8 de Agosto de 2017, https://www.worldwatchmonitor.org/2017/08/hinduisation-of-india-leads-to-more-anti-christian-violence/ (acedido a 24 de Junho de 2018).
[13] Murcadha O Flaherty, ‘India: Christians protest amid surge in attacks by Hindu extremists’, Aid to the Church in Need (UK), 5 de Junho de 2018 https://acnuk.org/news/india-christians-protest-amid-surge-in-attacks-by-hindu-extremists/ (acedido a 24 de Junho de 2018).
[14] Dharm Jagran Samiti, governador do estado de Uttah Pradesh, ao falar depois de Modi ter ganho as eleições de 2014 na Índia, afirmou: “O nosso objectivo é tornar a Índia numa Rashtra [nação] Hindu até 2021. Os muçulmanos e os cristãos não têm qualquer direito estar aqui. Por isso, ou se convertem ao Hinduísmo ou serão forçados a fugir daqui.” Citado por Shilpa Shaji em ‘History of attacks on Christians by the Right Wing in India’ , 23 de Abril de 2018, https://www.newsclick.in/history-attacks-christians-right-wing-india (acedido a 24 de Junho de 2018).
[15] ‘Apartheid with Chinese characteristics’, The Economist, 2 de Junho de 2018, pp. 21-26.
[16] ‘Thousand of Uighar Muslims detained in Chinese ‘re-education’ camps’, The Telegraph, 26 de Janeiro de 2018, https://www.telegraph.co.uk/news/2018/01/26/thousand-uighur-muslims-detained-chinese-re-education-camps/ (acedido a 24 de Junho de 2018).
[17] ‘China’s president seeks more control over religion’, The Catholic World Report, 25 de Outubro de 2017, https://www.catholicworldreport.com/2017/10/25/chinas-president-seeks-more-control-over-religion/ (acedido a 24 de Junho de 2018).
[18] ‘China’s new religion regulations expected to increase pressure on Christians’, World Watch Monitor, 1 de Fevereiro de 2018, https://www.worldwatchmonitor.org/2018/02/chinas-new-religion-regulations-expected-increase-pressure-christians/ (acedido a 24 de Junho de 2018).
[19] JB Cachila, ‘China’s Christians are being told to take down their pictures of Jesus and replace them with President Xi instead,’ Christian Today, 15 de Novembro de 2017 https://www.christiantoday.com/article/chinas-christians-are-being-told-to-take-down-their-pictures-of-jesus-and-replace-them-with-president-xi-instead/118698.htm (acedido a 24 de Junho de 2018).
[20] ‘Beijing bans online Bible sales’, AsiaNews.it, 5 de Abril de 2018, http://asianews.it/news-en/Beijing-bans-online-Bible-sales-43540.html (acedido a 24 de Junho de 2018).
[21] ‘Protestant plan focuses on Sinicization of Christianity’, UCANews, 20 de Abril de 2018, https://www.ucanews.com/news/protestant-plan-focuses-on-sinicization-of-christianity/82098 (acedido a 24 de Junho de 2018).
[22] Ben Rogers, China country entry – Religious Freedom in the world 2018 report, Aid to the Church in Need, Novembro de 2018.
[23] Mike Eckel, ‘Russia’s “Yarovaya Law” Imposes Harsh New Restrictions on Religious Groups’, Radio Free Europe, 11 de Julho de 2016, https://www.rferl.org/a/russia-yarovaya-law-religious-freedom-restrictions/27852531.html (acedido a 14 de Setembro de 2018).
[24] Victoria Arnold, ‘RUSSIA: Jehovah’s Witnesses banned, property confiscated’, Forum 18, 20 de Abril de 2017, http://www.forum18.org/archive.php?article_id=2274 (acedido a 24 de Junho de 2018).
[25] Patrick Kingsley, ‘Turkey’s Alevis, a Musim Minority, Fear of Policy Denying Their Existence’, 22 de Julho de 2018 https://www.nytimes.com/2017/07/22/world/europe/alevi-minority-turkey-recep-tayyip-erdogan.html (acedido a 24 de Junho de 2018).
[26] Turkey country report, International Religious Freedom Report for 2017, US State Depart. Bureau of Democracy, Human Rights and Labor,  https://www.state.gov/j/drl/rls/irf/religiousfreedom/index.htm#wrapper (acedido a 24 de Junho de 2018).
[27] Turkey ‘Where persecution comes from, Open Doors, https://www.opendoorsusa.org/christian-persecution/world-watch-list/turkey/ (acedido a 24 de Junho de 2018).
[28] Claire Evans, ‘State Rhetoric Increases Challenges Facing Turkish Christians’, Persecution – International Christian Concern, 19 de Junho de 2018, https://www.persecution.org/2018/06/19/state-rhetoric-increases-challenges-facing-turkish-christians/ (acedido a 24 de Junho de 2018).
[29] Report of the Commission of Inquiry on Human Rights in the Democratic People’s Republic of Korea, United Nations Human Rights Council, http://www.ohchr.org/EN/HRBodies/HRC/CoIDPRK/Pages/ReportoftheCommissionofInquiryDPRK.aspx (acedido a 9 de Junho de 2018).
[30] ‘Gunman shoots Pakistan minister over blasphemy law’, World Watch Monitor, 9 de Maio de 2018,  https://www.worldwatchmonitor.org/coe/gunman-shoots-pakistan-minister-over-blasphemy-law/ (acedido a 6 de Julho de 2018).
[31] ‘You’ve Got Veil: Millions Of Text Messages Remind Tajiks To Obey New Dress Code’, Radio Free Europe/Radio Liberty, 6 de Setembro de 2017, https://www.rferl.org/a/tajikistan-text-messsages-remind-obey-new-dress-code-hijab/28720266.html (acedido a 6 de Fevereiro de 2018).
[32] ‘Dushanbe cracks down on extremism, dismisses foreign-trained imams’, AsiaNews, 8 de Novembro de 2017, http://www.asianews.it/news-en/Dushanbe-cracks-down-on-extremism,-dismisses-foreign-trained-imams-42270.html  (acedido a 28 de Fevereiro de 2018).
[33] Bureau of Democracy, Human Rights and Labor, “Burma”, International Religious Freedom Report for 2017, US State Department, https://www.state.gov/j/drl/rls/irf/religiousfreedom/index.htm#wrapper (acedido a 25 de Junho de 2018).
[34] Ben Rogers, Burma (Myanmar) country report, Religious Freedom in the World 2018 report, Aid to the Church in Need, November 2018.
[35] Bureau of Democracy, Human Rights and Labor, “Burma”, International Religious Freedom Report for 2017, US State Department, https://www.state.gov/j/drl/rls/irf/religiousfreedom/index.htm#wrapper (acedido a 25 de Junho de 2018).
[36] “Burma Chapter – 2018 Annual Report”, US Commission on International Religious Freedom, http://www.uscirf.gov/reports-briefs/annual-report-chapters-and-summaries/burma-chapter-2018-annual-report (acedido a 25 de Junho de 2018).
[37] Linda Lowry, ‘Hindu leader demands all Christians leave India in publicised video’, Open Doors, 1 de Junho de 2018, https://www.opendoorsusa.org/christian-persecution/stories/hindu-leader-demands-all-christians-leave-india-in-publicized-video/ (acedido a 1 de Junho de 2018).
[38] Catholic Herald, 15 de Junho de 2018, p. 6.
[39] Rev. Dr Andrzej Halemba, ‘Church properties interim report’ – ACN Nineveh Plains projects update, Aid to the Church in Need, 9 de Junho de 2018.
[40] John Pontifex, ‘Iraqi Christians start journey home to their ancient homeland’, The Times, 7 de Outubro de 2017, https://www.thetimes.co.uk/article/iraqi-christians-start-journey-home-to-their-ancient-heartland-d3wlm62xj (acedido a 25 de Junho de 2018).
[41] ‘Nineveh Plains Reconstruction Process’, Nineveh Reconstruction Committee (NRC), https://www.nrciraq.org/reconstruction-process/ (acedido a 25 de Junho de 2018).
[42] ‘Religious Freedom in the World 2016’ report, Aid to the Church in Need, Executive Summary.
[43] Murcadha O Flaherty and John Pontifex, ‘NIGERIA: Fears of ‘jihadist crusade’ deepen after Christians are shot dead,’ ACN UK News, 13 de Abril de 2018, https://acnuk.org/news/64284/ (acedido a 11 de Julho de 2018).
[44] Murcadha O Flaherty e John Pontifex, ‘NIGERIA: Bishops – President should resign for inaction over “killing fields and mass graveyard”’, ACN UK News, 30 de Abril de 2018  https://acnuk.org/news/bishops-president-should-resign-for-inaction-over-nigerias-killing-fields-and-mass-graveyard/ (acedido a 25 de Junho de 2018).
[45] Murcadha O Flaherty, ‘NIGERIA: Bishop – Threat of genocide against Christians’, ACN UK News, 28 de Junho de 2018, https://acnuk.org/news/nigeria-bishop-threat-of-genocide-against-christians/ (acedido a 6 de Julho de 2018).
[46] ‘Somalia’s al Shabaab stones woman to death for cheating on husband’, Reuters, 26 de Outubro de 2017, https://www.reuters.com/article/us-somalia-violence/somalias-al-shabaab-stones-woman-to-death-for-cheating-on-husband-idUSKBN1CV302 (acedido a 12 de Maio de 2018); ‘Somali woman ‘with 11 husbands’ stoned to death by al-Shabab’, BBC, 9 de Maio de 2018, http://www.bbc.com/news/world-africa-44055536 (acedido a 12 de Maio de 2018).
[47] Bureau of Democracy, Human Rights and Labor, ‘Niger’, International Religious Freedom Report for 2016, US State Department, https://www.state.gov/j/drl/rls/irf/religiousfreedom/index.htm#wrapper (acedido a 31 de Março de 2018).
[48] ‘Fulani Herdsmen Are Imported Jihadists Sponsored To Islamise Nigeria – Bishop Oyedepo Warns’, NaijaGists.com, 27 de Julho de 2017, https://naijagists.com/fulani-herdsmen-imported-jihadists-sponsored-islamise-nigeria-bishop-oyedepo-warns/ (acedido a 7 de Julho de 2018).
[49] Emeka Okafor, ‘We Have Uncovered Plans to Islamise Nigeria By 2025 – CAN’, Independent [Nigeria], 8 de Maio de 2018, https://independent.ng/we-have-uncovered-plans-to-islamise-nigeria-by-2025-can/ (acedido a 7 de Julho de 2018).
[50] Murcadha O Flaherty and Amélie de la Hougue, ACN News, 15 de Junho de 2018, ‘New Cardinal highlights threat of ‘extremist Islam’ from abroad’ https://acnuk.org/news/madagascar-new-cardinal-highlights-threat-of-extremist-islam-from-abroad/ (acedido a 25 de Junho de 2018).
[51] Dr Mordechai Kedar, ‘The Most Deadly Middle East Conflict is Shia vs. Sunni,’ Arutz Sheva, 21 de Novembro de 2013, www.israelnationalnews.com/Articles/Article.aspx/14132 (acedido a 7 de Julho de 2018).
[52] John McHugo, ‘Don’t blame the faith: it’s the politics,’ The Tablet, 7 de Julho de 2018, pp. 4-6.
[53] Anushka Asthana, ‘Nine terrorist attacks prevented in UK last year, says MI5 boss, The Guardian, 5 de Dezembro de 2017, https://www.theguardian.com/uk-news/2017/dec/05/nine-terrorist-attacks-prevented-in-uk-in-last-year-says-mi5-boss (acedido a 24 de Junho de 2018). Em Dezembro de 2017, o director-geral do MI5 Andrew Parker disse ao Governo do Reino Unido que tinham sido realizados cinco ataques terroristas em solo britânico nos 12 meses anteriores, mas que também tinham sido evitados nove ataques.
[54] Kitty Donaldson, ‘MI5 Chief Warns of Threat to U.K. from Russia, Islamic State’, Bloomberg, 14 de Maio de 2018,  https://www.bloomberg.com/news/articles/2018-05-13/u-k-s-mi5-to-say-european-alliances-never-more-crucial-than-now (acedido a 24 de Junho de 2018).
[55] Ashifa Kassam and Jamiles Lartey, ‘Quebec City mosque shooting: six dead as Trudeau condemns ‘terrorist attack,’ The Guardian, 30 de Janeiro de 2017, https://www.theguardian.com/world/2017/jan/30/quebec-mosque-shooting-canada-deaths (acedido a 7 de Julho de 2018).
[56] Bonnie Malkin et al., ‘Finsbury Park mosque attack: suspect named as Darren Osborne, 47-year-old who lives in Cardiff – as it happened’, The Guardian, 20 de Junho de 2017, https://www.theguardian.com/uk-news/live/2017/jun/19/north-london-van-incident-finsbury-park-casualties-collides-pedestrians-live-updates (acedido a 24 de Junho de 2018).
[57] Hanna Yusuf, ‘Mother who was run over twice by attacker: “I thought I had died”’, BBC News, 27 de Março de 2018, https://www.bbc.co.uk/news/uk-43544115 (acedido a 12 de Julho de 2018).
[58] Michael Lipka, ‘Muslims and Islam: Key findings in the U.S. and around the world,’ Pew Research Center,  9 de Agosto de 2017  http://www.pewresearch.org/fact-tank/2017/08/09/muslims-and-islam-key-findings-in-the-u-s-and-around-the-world/ (acedido a 11 de Julho de 2018).
[59] ‘What Do Europeans Think About Muslim Immigration?’, Chatham House, 7 de Fevereiro de 2017, https://www.chathamhouse.org/expert/comment/what-do-europeans-think-about-muslim-immigration# (acedido a 11 de Julho de 2018)
[60] ‘Report reveals increase in anti-Muslim sentiment across Germany,’ Daily Sabah, 24 de Outubro de 2017, https://www.dailysabah.com/islamophobia/2017/10/25/report-reveals-increase-in-anti-muslim-sentiment-across-germany (acedido a 7 de Julho de 2018)
[61] Katayoun Kishi, ‘Assaults Against Muslims in US Surpass 2001 Level,’ Pew Research Center, 15 de Novembro de 2017, http://www.pewresearch.org/fact-tank/2017/11/15/assaults-against-muslims-in-u-s-surpass-2001-level/ (acedido a 21 de Fevereiro de 2018).
[62] ‘ “Contre le nouvel antisemitisme”: des centaines de personnalites signent une tribune’, Le Figaro, 22 de Abril de 2018,  http://www.lefigaro.fr/actualite-france/2018/04/22/01016-20180422ARTFIG00027-contre-le-nouvel-antisémitisme-des-centaines-de-personnalités-signent-une-tribune.php (acedido a 24 de Junho de 2018).
[63] ‘The New Antisemite’, 22 de Abril de 2018, http://antisemitism-europe.blogspot.com/2018/04/france-300-personalities-denounce-quiet.html (acedido a 24 de Junho de 2018).
[64]‘The number of ex-Muslims in America is rising’, The Economist, 17 de Maio de 2018,  http://media.economist.com/news/united-states/21738904-yet-even-land-free-apostasy-isnt-easy-number-ex-muslims-america (acedido a 24 de Junho de 2018).
[65] ‘Demand for atheism rises in countries under Islamic rule’, ex-Muslim, 27 de Março de 2018, https://www.ex-muslim.org.uk/2018/03/demand-for-atheism-rises-in-countries-under-islamic-rule/ (acedido a 24 de Junho de 2018).
[66] ‘Demand for atheism rises in countries under Islamic rule’, ex-Muslim, 27 de Março de 2018, https://www.ex-muslim.org.uk/2018/03/demand-for-atheism-rises-in-countries-under-islamic-rule/ (acedido a 24 de Junho de 2018).

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