Religião

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Disposições legais em relação à liberdade religiosa e aplicação efetiva

No seu preâmbulo, a Constituição[1] invoca a proteção de Deus com o supremo objetivo de estabelecer uma sociedade democrática que garante os direitos, incluindo a liberdade se não ser discriminado. O artigo 59.º da Constituição declara que “o Estado garante a liberdade de culto e religião”. O artigo afirma que todos têm “o direito de professar a sua fé religiosa ou credo e de manifestar as suas crenças, em privado ou em público, através do ensino ou de outras práticas, desde que não vão contra a moral, os bons costumes e a ordem pública”. A independência e a autonomia das igrejas denominações religiosas também é garantida. Os pais têm direito a educar os seus filhos de acordo com as suas crenças.

O artigo 61.º defende a liberdade de consciência e expressão. Apesar disso, afirma que a objeção de consciência não pode ser invocada para evitar cumprir a lei.

Segundo o artigo 89.º, todas as formas de discriminação no trabalho com base no credo são proibidas.

O Estado reconhece os direitos dos povos indígenas no âmbito do artigo 119.º da Constituição, incluindo o seu direito à liberdade religiosa. Segundo o artigo 121.º, os povos indígenas também têm direito a manter e desenvolver os seus costumes e valores, incluindo a sua espiritualidade e locais de culto. Estes direitos também são defendidos noutros locais, na Constituição e legislação do país.[2]

A Constituição, no seu artigo 97.º, reconhece ainda que a espiritualidade e credo das comunidades indígenas são componentes fundamentais das suas mundivisões. De acordo com o artigo 98.º, não é permitido impor crenças religiosas aos povos indígenas, nem se lhes pode negar as suas práticas e crenças. Segundo o artigo 100.º, a educação religiosa das crianças e adolescentes indígenas é da responsabilidade dos seus pais, familiares e membros do seu povo. O artigo 107.º protege os povos indígenas do fanatismo político e religioso.

Outras leis[3] reconhecem o direito das crianças e adolescentes à liberdade de pensamento, consciência e religião. Os seus pais e encarregados de educação têm o direito e o dever de os orientar no exercício deste direito. Os menores têm direito à sua própria vida cultural, a professar e praticar a sua própria religião ou crenças, e a usar a sua própria língua, em especial os que pertençam a minorias étnicas, religiosas ou indígenas. Na área da educação,[4] o Estado declara-se secular, preservando a sua independência em relação a todas as religiões. Os pais têm direito a escolher a educação religiosa dos seus filhos.

De acordo com a reforma fiscal de 2014,[5] foram limitadas as isenções fiscais para instituições dedicadas a actividades religiosas, artísticas, científicas e outras. Essas isenções estão agora restritas às organizações de caridade e assistência social. O Código Penal[6] categoriza tipos de conduta que ameaçam a liberdade de culto. O artigo 168.º diz respeito à punição de pessoas que tentem impedir ou perturbar serviços ou cerimónias religiosas ou que danifiquem intencionalmente itens usados no culto. As igrejas também são reconhecidas como entidades legais.[7] No âmbito de um acordo com a Santa Sé, assinado em 1964, a Igreja Católica é reconhecida como entidade legal internacional e pública.[8] Em 1994, foi assinado outro acordo com a Santa Sé relativo à disponibilização de assistência espiritual nas forças armadas.[9]

Incidentes

Em Julho de 2016, a Conferência Episcopal Católica da Venezuela (CBCV) afirmou que o país estava à beira de uma crise por causa da escassez de alimentos e da falta de medicamentos e outros cuidados de saúde. Os bispos declaram que o estado de direito tinha sido enfraquecido e que a democracia tinha falhado. E apelou a que o governo permita os medicamentos no país, disponibilizando as suas instalações como pontos de recolha e distribuição.[10]

Em Dezembro de 2016, o presidente da Conferência Episcopal criticou as políticas económicas do governo, referindo que os pobres e os marginalizados eram os mais desfavorecidos, e apelando à solidariedade e a protestos pacíficos.[11] A Universidade Católica Andrés Bello disse em Abril de 2017 que não podia permanecer em silêncio sobre a violação de direitos humanos, apelando a que o governo ponha fim à repressão de manifestações pacíficas.[12]

Em Maio de 2017, a Conferência Episcopal rejeitou a proposta do Presidente Nicolás Maduro de criar uma Assembleia Nacional Constituinte, considerando-a desnecessária e perigosa para a democracia. Os bispos apelaram em vez disso a soluções não violentas. Os líderes religiosos foram convidados a participar na Assembleia, com alguns a concordarem participar e outros a recusarem a oportunidade. A Confederação das Associações Judaicas da Venezuela afirmou que tinha uma posição apolítica e apelou a iniciativas tomadas de acordo com a lei, a ética e a moral.[13]

Em Agosto de 2016, o secretário de estado do Vaticano, Cardeal Pietro Parolin, respondeu a um pedido feito pela União de Nações Sul-Americanas (UNASUL), que inclui Argentina, Peru, Guiana, Suriname, Chile, Venezuela, Equador e Bolívia, pedindo ao Papa Francisco que viabilize o diálogo entre o governo e a oposição. Jesús Torrealba, secretário-geral da Mesa Redonda da Unidade Democrática (DUR), uma aliança que se opõe ao governo, disse que estava feliz por o Papa mediar. O enviado especial do Vaticano à Venezuela, Monsenhor Claudio Maria Celli, encontrou-se com o Presidente Maduro em Novembro de 2016, afirmando que a crise só podia ser resolvida através do diálogo.[14]Em Junho seguinte, através da Nunciatura Apostólica, o governo do Presidente Maduro solicitou a mediação do Papa Francisco.[15]

Durante o período em análise, houve actos de vandalismo, embora os motivos por trás da violência não sejam totalmente claros. Em Junho de 2016, o pároco de Guarenas ficou ferido durante um raide à sua igreja em que alguns objectos sagrados foram profanados e outros foram roubados.[16] Em Janeiro de 2018, a Igreja da Sagrada Família foi assaltada e foram realizados actos sacrílegos. Os agressores forçaram a porta do sacrário contendo o Santíssimo Sacramento e roubaram itens preciosos usados nos serviços religiosos diários. Segundo um relato da comunicação social, o ataque pode ter sido realizado pelos chamados santeros ou espiritualistas, que usam estes objectos nas suas cerimónias.[17] Nos dias anteriores à Semana Santa de 2018, foi roubado um sino de 500kg de uma igreja na cidade de Cumaná.[18]

Em Julho de 2016, cinco estudantes do seminário católico de Mérida foram espancados e os seus bens e roupas foram roubados quando passavam perto do local de uma manifestação que deveria realizar-se em breve. Pensa-se que a mulher de um preso político iria participar no protesto. O Arcebispo Baltazar Porras de Mérida denunciou o ataque, criticando grupos pró-governo.[19] Em Agosto de 2017, na madrugada de uma manhã, membros da segurança do Estado invadiram a residência estudantil Cristo Rei gerida pela comunidade religiosa das Filhas de Cristo Rei.[20]

Em Novembro de 2017, um grupo de pessoas entrou na Basílica de Nossa Senhora da Consolação em Táriba e impediu que a Missa decorresse, tendo usado o altar principal para contra votos.[21]

Em Setembro de 2017, o Presidente Maduro acusou alguns bispos católicos de serem cúmplices de violência. Durante a sua emissão regular de domingo, o presidente disse: “pessoas violentas agiram com a bênção de alguns bispos bandidos que não protegem as pessoas, que não falam como Cristo nas ruas das pessoas, que não sofrem, que não partilham a solidariedade com as pessoas, mas que fazem parte de uma conspiração permanente e usam o manto para conspirar e prejudicar o país”.[22]

Em Janeiro de 2018, o presidente também acusou líderes católicos de boicotarem a canonização do Dr. José Gregorio Hernández, conhecido como “o santo dos pobres”.[23]

Nesse mesmo mês, um grupo de pessoas que representava a sociedade civil protestou pacificamente em Barquisimeto, rejeitando acusações do governo contra representantes da Igreja Católica.[24] O Presidente Maduro acusou dois bispos de “crimes de ódio”, pedindo ao Supremo Tribunal de Justiça que abra uma investigação contra os prelados.[25]

Em Fevereiro de 2017, representantes da Confederação das Associações Judaicas da Venezuela reuniu com o Presidente Maduro, tendo-lhe dito que o sentimento anti-semita estava a aumentar. Destacaram igualmente os comentários depreciativos feitos sobre Israel na comunicação social próxima do partido no poder e insistiram na necessidade de restabelecer relações com o estado de Israel.[26]

Em Setembro de 2017, bispos venezuelanos reuniram com o Papa Francisco durante a sua visita à Colômbia e informaram-no sobre o agravamento da crise e as ameaças contra sacerdotes e freiras.[27]

Em Outubro de 2017, uma reportagem analisou a situação da liberdade religiosa na Venezuela, referindo que não havia restrições em relação à participação na Missa, à visita a um local de culto ou à participação em procissões. A reportagem alegava que “a Igreja tem denunciado sistematicamente as várias formas de violação da liberdade religiosa, por vezes brutais, em todo o mundo”. O autor acrescentou que “foram impostas pressões a paróquias e dioceses, foram iniciados procedimentos judiciais contra representantes da Igreja, imagens de culto católica são demolidas, profanadas ou mutiladas, e são feitas ameaças de todas as formas”.[28]

Cristãos de diferentes tradições continuaram o seu diálogo. Em Outubro de 2017 ocorreram várias iniciativas para assinalar o 500.º aniversário da Reforma Protestante.[29] Em Novembro de 2017 surgiram relatos de que as prisão tinham recebido ordens da “cúpula” para impedir que o clero visite os presos.[30]

Em Novembro de 2017, uma reportagem destacou a renovada emigração de judeus venezuelanos. Mais de metade da comunidade judaica alegadamente deixou o país na sequência da crise financeira. O êxodo aumentou em resposta ao anti-semitismo presente nos escalões mais elevados do governo, bem como das agências estatais, incluindo responsáveis que trabalham na administração fiscal.[31] David Bittan, advogado e antigo presidente da Confederação de Associações Israelitas da Venezuela (CAIV), disse: “Não há recenseamento. É irresponsável dar um número, mas a percepção é de que daqui a 10 ou 12 anos, mais de 50 por cento terão partido.” O antigo presidente da CAIV Abraão Levy disse: “A decisão de emigrar é sempre pessoal. A migração pode ocorrer na mesma proporção entre não judeus, que são afectados pela insegurança, por preocupações com os seus filhos, pela instabilidade política e pela inflacção. Contudo, não há razão para se terem quebrado as relações com Israel e isso é um elemento de grande preocupação”. O relato também refere que o Presidente Maduro, quando era ministro dos Negócios Estrangeiros em Janeiro de 2009, expulsou o embaixador de Israel na Venezuela e declarou-o persona non grata.

Em Março de 2018, o Padre José Palmar tornou-se no terceiro sacerdote de origem venezuelana a ir para o exílio. Os outros sacerdotes forçados a deixar o país são Pedro Freites, em Abril de 2017, e Alexander Hernández, em Janeiro de 2018.[32]

Várias organizações religiosas criticaram os burocratas do governo por não aprovarem prontamente os seus estatutos. Alguns grupos religiosos receberam tratamento preferencial por causa do seu apoio à política governamental.[33]

Em Março de 2018, Sam Brownback, o embaixador itinerante dos EUA para a Liberdade Religiosa Internacional, referiu as dificuldades que os bispos católicos da Venezuela enfrentam quando são criticados pelo Presidente Maduro por falarem sobre a crise do país.[34]

Perspectivas para a liberdade religiosa

Apesar de ter as maiores reservas de petróleo do mundo, a Venezuela está mergulhada numa profunda crise política, social e econômica, incluindo escassez de alimentos e medicamentos, e níveis record de crime. A Igreja Católica tem-se expressado persistentemente, apelando ao fim da repressão e violência governamental. Isto levou a um contínuo confronto com as autoridades, que responderam acusando alguns bispos de estarem envolvidos em conspirações para cometer violência. Alguns bispos foram investigados pelo governo. Sacerdotes foram ameaçados, atacados e impedidos de desempenhar os seus deveres pastorais, como por exemplo visitar os que foram detidos. Alguns sacerdotes foram forçados ao exílio. Foram reportados atrasos e obstáculos em relação ao registo de entidades religiosas não apoiadas pelo governo.

O governo também foi acusado de antissemitismo. Além disso, perante ataques e atos sacrílegos contra locais de culto, existe a percepção de menos tolerância e respeito pelas crenças dos outros. Há relatos que indicam que um grande número de judeus deixou o país em busca de uma vida melhor e devido ao aumento da intolerância para com a sua comunidade.

Em comparação com o período anterior, a situação da liberdade religiosa na Venezuela piorou consideravelmente e a perspectiva para os próximos anos é negativa.

Notas

[1] Venezuela (Bolivarian Republic of)’s Constitution of 1999 with Amendments through 2009, constituetproject.org, https://www.constituteproject.org/constitution/Venezuela_2009.pdf?lang=en (acedido a 11 de Julho de 2018).

[2] Ley Orgánica de Pueblos y Comunidades Indígenas de 2005, http://www.acnur.org/fileadmin/Documentos/Pueblos_indigenas/ley_organica_indigena_ven.pdf?file=fileadmin/Documentos/Pueblos_indigenas/ley_organica_indigena_ven (acedido a 31 de Maio de 2018).

[3] Ley Orgánica para la protección de niños, niñas y adolescentes de 2007,  http://aliadasencadena.org/wp-content/uploads/2017/01/LOPNNA.pdf (acedido a 31 de Maio de 2018).

[4] Ley Orgánica de Educación de 2009, artigo 7.º, site supenso, http://www.venezuelaigualitaria.org/Documentos/Ley_Educacion.pdf (acedido a 31 de Maio de 2018, suspenso uns dias mais tarde).

[5] Decreto con Rango, Valor y Fuerza de Ley N°1.435, 17 de Novembro de 2014, artigo 1.º, Gaceta Oficial No. 6.152, 18 November 2014. https://dhqrdotme.files.wordpress.com/2013/02/decreto-con-rango-valor-y-fuerza-de-ley-del-cc3b3digo-orgc3a1nico-tributario.pdf (acedido a 4 de Junho de 18)

[6] Código Penal de Venezuela de 2000, Organização de Estados Americanos, https://www.oas.org/juridico/spanish/mesicic3_ven_anexo6.pdf (acedido a 4 de Junho de 18).

[7] Código Civil de Venezuela de 1982, artigo 19.º, n.º 2, Organização de Estados Americanos, https://www.oas.org/dil/esp/Codigo_Civil_Venezuela.pdf (acedido a 4 de Junho de 18)

[8] Convenio celebrado entre la República de Venezuela y la Santa Sede Apostólica de 1964, Gaceta Oficial n.º 27.551, 24 de Setembro de 1964, http://gacetaoficial.tuabogado.com/gaceta-oficial/decada-1960/1964/gaceta-oficial-27551-del-24-septiembre-1964 (acedido a 9 de Julho de 2018).

[9] Acuerdo entre La Santa Sede y la República de Venezuela para la creación de un Ordinariato Militar, Secretariat of State, Vatican, http://www.vatican.va/roman_curia/secretariat_state/archivio/documents/rc_seg-st_19941031_s-sede-venezuela_sp.html (acedido a 31 de Maio de 18).

[10] “Exhortación de la Conferencia Episcopal Venezolana Centésima Sexta Asamblea Plenaria Ordinaria ‘El Señor ama a quien busca la justicia’ (Prov. 15, 9)”, Conferencia Episcopal Venezolana, 12 de Julho de 2016, http://www.cev.org.ve/index.php/noticias/189-exhortacion-de-la-conferencia-episcopal-venezolanacentesima-sexta-asamblea-plenaria-ordinaria-el-senor-ama-al-que-busca-la-justicia-prov-15-9 (acedido a 18 de Abril de 2018).

[11] “Mensaje de la Presidencia de la Conferencia Episcopal Venezolana ante la crisis que golpea a Venezuela”, Conferencia Episcopal Venezolana, 17 de Dezembro de 2016, http://www.cev.org.ve/index.php/noticias/206-mensaje-de-la-presidencia-de-la-conferencia-episcopal-venezolana-ante-la-situacion-del-pais-en-las-ultimas-horas (acedido a 18 de Abril de 2018).

[12] “La UCAB exige el cese a la represión y criminalización de las manifestaciones pacíficas (Comunicado)”, Confirmado, 12 de Abril de 2017, http://confirmado.com.ve/la-ucab-exige-el-cese-de-la-represion-y-criminalizacion-de-las-manifestaciones-pacificas-comunicado/ (acedido a 18 de Abril de 2018).

[13] “Conferencia Episcopal Venezolana: No reformar la Constitución sino cumplirla”, Prodavinci, 5 de Maio de 2017, http://historico.prodavinci.com/2017/05/05/actualidad/conferencia-episcopal-venezolana-no-reformar-la-constitucion-sino-cumplirla-monitorprodavinci/ (acedido a 28 de Abril de 2018); “Consejo Evangélico de Venezuela desmintió apoyo a la Constituyente (+Comunicado)”, Caraota Digital, 11 de Maio de 2017, http://www.caraotadigital.net/nacionales/consejo-evangelico-de-venezuela-desmintio-apoyo-la-constituyente-comunicado/ (acedido a 18 de Abril de 2018); “Comunicado CAIV 11-05-2017- sobre la situación en Venezuela”, caiv.org, 11 de Maio de 2017, https://www.caiv.org/2017/05/11/comunicado-caiv-11-05-2017-sobre-la-situacion-de-venezuela/ (acedido a 10 de Julho de 18)

[14] “Claudio María Celli advierte: ‘Si fracasa el dialogo, puede haber un baño de sangre en Venezuela”, Religión Digital, 6 de Novembro de 2016, http://www.periodistadigital.com/religion/america/2016/11/06/monsenor-claudio-maria-celli-advierte-venezuela-podria-enfrentarse-camino-sangre-si-fracasa-el-dialogo-religion-iglesia-dios-jesus-papa-francisco-fe-esperanza.shtml (acedido a 8 de Julho de 2018).

[15] “Mientras Maduro solicita mediación del papa Francisco, el Vaticano pide elecciones en Venezuela”, CNN Latinoamerica, 14 de Junho de 2017, https://cnnespanol.cnn.com/2017/06/14/mientras-maduro-solicita-mediacion-del-papa-francisco-el-vaticano-pide-elecciones-en-venezuela/ (acedido a 11 de Abril de 2018).

[16] “Herido sacerdote en asalto de antisociales a una iglesia”, La Voz, 26 de Junho de 2016, https://diariolavoz.net/2016/06/26/herido-sacerdote-asalto-antisociales-una-iglesia/ (acedido a 9 de Julho de 2018).

[17] H. Boscán, “FOTOS: Hasta las hostias hurtaron de la iglesia de Los Rastrojos”, El IMPULSO.COM, 17 de Janeiro de 2018, http://www.elimpulso.com/featured/fotos-las-hostias-hurtaron-la-iglesia-los-rastrojos, (acedido a 11 de Abril de 2018).

[18] “Roban campana de 500 kg en iglesia de Venezuela”, Plano Informativo, 1 de Abril de 2018, http://planoinformativo.com/582527/roban-campana-de-500-kg-en-iglesia-de-venezuela-internacionales, (acedido a 1 de Abril de 2018).

[19] R. A. Pérez, “Venezuela: Desnudan y humillan a seminaristas”, Aleteia, 2 de Julho de 2016, https://es.aleteia.org/2016/07/02/venezuela-desnudan-y-humillan-a-seminaristas/ (acedido a 13 de Abril de 2018).

[20] “Carta del Arzobispo de Valencia al SEBIN ante irrupción en casas de las hijas de Cristo Rey”, Conferencia Episcopal Venezolana, 8 de Agosto de 2016, http://www.cev.org.ve/index.php/noticias/252-carta-del-arzobispo-de-valencia-al-sebin-ante-irrupcion-en-casa-de-las-hijas-de-cristo-rey (acedido a 18 de Abril de 2018).

[21] M. Arenas, “Venezuela y una insólita profanación: Convierten un altar en mesa electoral”, Aleteia, 21 de Novembro de 2017, https://es.aleteia.org/2017/11/21/venezuela-y-una-insolita-profanacion-convierten-un-altar-en-mesa-electoral/ (acedido a 13 de Abril de 2018).

[22] E. Delgado, “Táchira: Moronta rechaza acusaciones contra obispos venezolanos”, El Nacional, 22 de Setembro de 2017, http://www.el-nacional.com/noticias/sociedad/tachira-moronta-rechaza-acusaciones-contra-obispos-venezolanos_204710 (acedido a 11 de Abril de 2018); “Los violentos actuaron en el país con la bendición de los obispos”, Ultima Hora, 17 de Setembro de 2017, http://ultimahoradigital.com/2017/09/los-violentos-actuaron-en-el-pais-con-la-bendicion-de-los-obispos/ (acedido a 11 de Abril de 2018).

[23] B. Vidal, “Maduro: “Cúpula’ de la Iglesia está en contra de santificar a José Gregorio Hernández”, EL IMPULSO.COM, 9 de Janeiro de 2018, http://www.elimpulso.com/home/maduro-cupula-la-iglesia-esta-santificar-jose-gregorio-hernandez (acedido a 11 de Abril de 2018).

[24] “Sociedad Civil protesta en Barquisimeto en apoyo a la iglesia católica”, El IMPULSO.COM, 18 de Janeiro de 2018, http://www.elimpulso.com/noticias/regionales/sociedad-civil-protesta-barquisimeto-apoyo-la-iglesia-catolica (acedido a 11 de Abril de 2018).

[25] “Exigen a Maduro respeto a la libertad religiosa en Venezuela”, Aciprensa, 25 de Janeiro de 2018, https://www.aciprensa.com/noticias/exigen-a-maduro-respeto-a-la-libertad-religiosa-en-venezuela-90494 (acedido a 11 de Abril de 2018).

[26] “Comunicado CAIV -21-02-2017- La comunidad judía de Venezuela se reunió con Nicolás Maduro”, caiv.org, 21 de Fevereiro de 2017, https://www.caiv.org/2017/02/21/comunicado-caiv-21-02-2017-la-comunidad-judia-de-venezuela-se-reunio-con-nicolas-maduro/ (acedido a 10 de Julho de 18).

[27] “Los obispos venezolanos alertaron al papa en Colombia de la ‘agudización de la crisis’ en su país”, Infobae, 8 de Setembro de 2017, https://www.infobae.com/america/venezuela/2017/09/08/los-obispos-venezolanos-alertaron-al-papa-en-colombia-de-la-agudizacion-de-la-crisis-en-su-pais/ (acedido a 6 de Abril de 2018).

[28] M. Arenas, “¿Hay libertad religiosa en Venezuela?”, Aleteia, 28 de Outubro de 2017, https://es.aleteia.org/2017/10/28/hay-libertad-religiosa-en-venezuela/ (acedido a 12 de Abril de 2018).

[29] “Ecumenismo: noticias de Venezuela”, Focolares, 13 de Outubro de 2017, http://www.focolare.org/es/news/2017/10/13/ecumenismo-noticias-de-venezuela/ (acedido a 10 de Julho de 2018).

[30] C. Zapata, “Venezuela: A sacerdotes y obispos les impiden visitar a los presos”, Aleteia, 3 de Novembro de 2017, https://es.aleteia.org/2017/11/03/venezuela-a-sacerdotes-y-obispos-les-impiden-visitar-a-los-presos/ (acedido a 11 de Abril de 2018); C. Zapata, “Visito presos políticos como abogado, porque si digo que soy sacerdote no me dejan entrar”, Reporte Católico Laico, http://reportecatolicolaico.com/2017/11/visito-presos-politicos-como-abogado-porque-si-digo-que-soy-sacerdote-no-me-dejan-entrar/ (acedido a 10 de Julho de 2018).

[31] E. Avendaño, “Adiós Venezuela, dice la comunidad judía”, Climax, 9 de Novembro de 2017, http://elestimulo.com/climax/adios-venezuela-dice-la-comunidad-judia/ (acedido a 10 de Julho de 2018).

[32] R. A. Pérez, “El Padre Palmar, tercer sacerdote que sale al exilio desde Venezuela”, Aleteia, 14 de Março de 2018, https://es.aleteia.org/2018/03/14/el-padre-palmar-tercer-sacerdote-que-sale-al-exilio-desde-venezuela/ (acedido a 11 de Abril de 2018).

[33] “Cinco países donde practicar la libertad religiosa podría ser peligroso”, Diario Las Américas, 17 de Agosto de 2017, https://www.diariolasamericas.com/eeuu/cinco-paises-donde-practicar-la-libertad-religiosa-podria-ser-peligroso-n4129477 (acedido a 11 de Abril de 2018).

[34] J. Septién, “Hoy es más peligroso que nunca tener fe en muchos países del mundo”, Aleteia, 29 de Março de 2018, https://es.aleteia.org/2018/03/29/hoy-es-mas-peligroso-que-nunca-tener-fe-en-muchos-paises-del-mundo/ (acedido a 11 de Abril de 2018).

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